1932 (C.P.)

(Luiz Venâncio / Rodrigo Lorenzetti)

Eu olho, você nada,
continua parada ali.
Toda vez que eu te vejo
é como na primeira que eu vi.
Mas eu chego e você parte,
eu Terra e você Marte, aliás
Você ser carioca
será que me provoca demais?

Quando você sorriu
me reparti em antes e depois.
Hoje eu me rendo, rio.
Mil novecentos e trinta e dois.

Eu desço e você salta,
só aqueço e já me falta  o ar.
Eu farol, você sinal,
eu doce, você de sal, que par!
Você diz “tu”, eu “você”,
você diz: “nu!”, eu “por que? Nem vem…”
Você Zona Sul, ferver
e eu pensando se eu vou ser alguém.

Quando você sorriu
me reparti em antes e depois.
Hoje eu me rendo, rio.
Mil novecentos e trinta e dois.

Você, tão linda,
leva ao fim da guerra
da serra com o mar.
Só esse teu olhar
pra que eu me entregue
alegre de me entregar.

Aqui: selva de pedra,
calor chamam de brega e hell.
Aí: verão eterno
também chamam de inferno ou céu.
Você Pires, eu prato,
você joga e eu cato pra mim.
Eu vergonha na cara,
você na Guanabara e fim.

Quando você sorriu
me reparti em antes e depois.
Hoje eu me rendo, rio.
Mil novecentos e trinta e dois.

Você, tão linda,
leva ao fim da guerra
da serra com o mar.
Só esse teu olhar
pra que eu me entregue
alegre de me entregar